As obras da Arena Corinthians, no total, vão consumir aproximadamente R$ 820 milhões
O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, já avisou: as obras do Itaquerão podem parar a qualquer momento se não houver a liberação da verba prometida pelo BNDES e pela prefeitura para o financiamento do estádio. Nesta quarta-feira, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o cartola reiterou que o clube alvinegro não continuará pagando juros para bancar a construção do local e revelou o desespero da Fifa quando foi comunicada sobre o risco de as obras serem interrompidas.
“Eles [Fifa e COL, Comitê Organizador Local] já foram avisados que, se continuar dessa maneira, vai parar tudo”, informou o ex-presidente e, ao ser questionado sobre o que os representantes desses órgãos disseram ao serem comunicados sobre a possibilidade de as obras pararem, ele respondeu: “[Disseram] Pelo amor de Deus!!!”.
Nas últimas semanas, Andrés, que é o principal articulador entre o Corinthians, a construtora Odebrecht, a prefeitura de São Paulo e o governo federal, tem alertado para o risco de as obras do Itaquerão pararem por falta de verba. Isso porque o clube alvinegro ainda não obteve a liberação do empréstimo de R$ 400 milhões do BNDES e da linha de crédito no valor de R$ 420 milhões da prefeitura.
O ex-presidente corintiano explicou que, para o Itaquerão receber a Copa do Mundo serão necessárias obras específicas com que o Corinthians não pretende arcar, já que elas serão desfeitas ao término da competição – quando o próprio clube terá que fechar as portas do estádio e deixar de arrecadar com os jogos para poder realizar as reformas.
“Quem conhece de obras de Copa do Mundo sabe que tem um monte de coisa que, para o Corinthians, não tem utilidade. Seriam só para os 30, 40 dias do Mundial. E, além de gastar agora para fazer, tem de gastar depois para desfazer”, esclareceu o cartola.
Andrés reforçou que o Corinthians está sem caixa para continuar bancando juros de empréstimos e, por isso, precisa com urgência que o financiamento prometido seja liberado para poder dar continuidade às obras – que já estão 70% concluídas. E afirmou que o clube já tem um ‘plano B’ para caso isso não aconteça em breve.
“Se acontecer isso [não houver a liberação da verba], remodelaremos o estádio que está praticamente pronto, o Corinthians começa a jogar aqui em janeiro e arrecada mais de R$ 200 milhões só em 2014. Em 2014 já se pagariam 50% do estádio”, contou.
“E se tiver Copa do Mundo, o Corinthians não joga no estádio no ano que vem, porque acabou a Copa, o Corinthians vai ter que fazer um monte de obras aqui, pelo menos mais cinco ou seis meses para deixar tudo pronto. Com a Copa, ficamos um ano inteiro sem arrecadação, é essa a conta”, reiterou o ex-presidente, garantindo que não está fazendo nenhuma ameaça, e sim expondo uma realidade.
"Não é ameaça, é uma realidade. Eu não quero colocar a faca no pescoço de ninguém, eu já expliquei para o prefeito, para o governo...Infelizmente, o Corinthians não tem mais caixa e não tem mais viabilidade financeira para pagar mais juros. Acreditem: nós estamos no limite", encerrou.
Em Zurique, na última terça-feira, a Fifa disse apenas estar acompanhando a situação e confiar na solução do problema. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou que o governo também segue o caso e que espera que no máximo em um mês o empréstimo seja feito.
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